Desafios e potencialidade das fontes orais no ensino de História em Moçambique
Percepção de alunos e professores de uma escola secundária em Quelimane
DOI:
https://doi.org/10.58422/repesq.2026.e1919Palavras-chave:
História oral, fonte histórica, património culturalResumo
A “memória viva” constitui uma forma ancestral de produção e transmissão do conhecimento histórico nas sociedades africanas, desempenhando um papel central na preservação da memória coletiva e das identidades culturais. Em Moçambique, apesar de se manter como património vivo nas comunidades locais, ela tem sido historicamente marginalizada no contexto escolar, onde predominam fontes escritas e narrativas oficiais. O estudo analisa a utilização da oralidade no ensino de História numa escola secundária de Quelimane, identificando os seus desafios e potencialidades como fonte histórica e pedagógica. É nesse contexto que surge a seguinte questão de pesquisa: Quais são as potencialidades e os desafios da utilização da oralidade no ensino de História numa escola secundária em Quelimane? A pesquisa adotou uma abordagem quanti-qualitativa, envolvendo questionários aplicados a 10 professores de História e a 30 alunos da 12.ª classe a nível da escola, bem como entrevistas com personalidades locais reconhecidas como “fontes de história viva”, com o objetivo de compreender a valorização, a prática e as limitações da integração das fontes orais no contexto escolar. Os resultados do estudo revelam que, embora a oralidade seja reconhecida como portadora de valor histórico, cultural e identitário, a sua utilização no ensino é pontual e pouco sistematizada. Apesar do seu elevado potencial pedagógico na aproximação entre escola e comunidade, no fortalecimento da identidade cultural dos alunos e na promoção de aprendizagens significativas, ela apresenta vários desafios, entre os quais, a desvalorização do seu uso no ensino, a falta de formação docente nesta matéria e a ausência de mecanismos institucionais de registo e preservação da memória local.
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