Protagonismo juvenil
entre a inovação educacional e a racionalidade neoliberal
DOI:
https://doi.org/10.58422/repesq.2025.e1882Palavras-chave:
Protagonismo juvenil, Inovação educacional, Racionalidade neoliberal, Políticas educacionais, Subjetividade juvenilResumo
O artigo analisa como o protagonismo juvenil é mobilizado nos discursos das políticas educacionais em relação à inovação educacional e à racionalidade neoliberal. A partir de pesquisa qualitativa, bibliográfica e documental, examina-se a trajetória do conceito e suas disputas no contexto escolar. Argumenta-se que, embora apresentado como estratégia de autonomia, o protagonismo tem sido apropriado como responsabilização individual, alinhado à lógica do “empreendedor de si”, deslocando a experiência educativa para práticas de autogestão e desempenho. O estudo mostra que o protagonismo não é capacidade natural do jovem, mas construção pedagógica que requer mediação crítica. Retomando a perspectiva freireana como prática de liberdade, conclui-se que o protagonismo só assume caráter transformador quando articulado a um projeto emancipador comprometido com ação social e formação democrática.
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